domingo, 2 de março de 2008

O que realmente é Relações Públicas

Vivemos numa sociedade, e como tal as organizações, sejam estas de que natureza forem, não se podem isolar… Têm de interagir com tudo o que as rodeia…

"Relações Públicas é a actividade e o esforço deliberado, planeado e contínuo para estabelecer e manter a compreensão mútua entre uma organização e os grupos de pessoas a que esteja, directa ou indirectamente, ligada."
(Instituto Britânico de Relações Públicas)


“O seu objectivo não é vender um produto, mas delinear uma imagem favorável de uma empresa e melhorá-la, se necessário.” (Max Adler)


“A função empresarial que dispensa a mesma atenção, organizada e cuidada, ao valor da boa reputação (imagem), que é dada aos outros principais vectores do negócio” (John Hill).


Destas definições, retiradas do livro Mercator (1996) podemos retirar a preocupação basilar das relações Públicas, criar relações de confiança entre os diversos públicos e as organizações.

Desde os primórdios da civilização humana que existem evidências de acções de Relações Públicas, mas foi no inicio do séc. XX que esta começa a ganhar as delineações com as quais a conhecemos hoje.

O primeiro grande impulsionador das Relações Públicas foi o americano Ivy Lee que contribui para esta disciplina da comunicação, através das suas acções como “assessor de imprensa” para o multimilionário Rockfeller, na tentativa bem sucedida de mudar a imagem deste, junto do público americano.

Como já referimos o principal objectivo das Relações Públicas é a criação de uma imagem positiva da organização junto da comunidade em que se insere, em geral, e os seus públicos em particular.
Para tal a função Relação Pública procura:
  • Aumentar a credibilidade e notoriedade da empresa, seus produtos e serviços;
  • Criar uma boa comunicação interna, envolvendo plenamente os colaboradores nas actividades da empresa;
  • Criar um sentimento de pertença;
  • Estimular as vendas;
  • Melhorar a imagem da empresa e das suas marcas;
  • Desenvolver uma atmosfera de confiança com os órgãos de comunicação social;
  • Ter uma atitude preventiva e controladora de crises;
  • Ouvir o feedback por parte dos diversos públicos;
  • Fomentar e desenvolver uma relação positiva com a comunidade local;


De acordo com a Associação Portuguesa das Empresas de Publicidade (APAP) podemos subdividir a profissão de relações públicas em três estádios profissionais distintos:

  • Relações Públicas (Sénior) – é a pessoa que têm como funções o estudo, planeamento, execução e controlo de acções de divulgação e comunicação e o feedback dos públicos.
    Este tem ainda a função de estabelecer canais de comunicação entre a administração, o público interno (colaboradores da empresa) e externo.
    No interior da empresa estes são responsáveis pela comunicação interna, com a imagem que os colaboradores têm da organização e com a cultura organizacional.
    A nível externo recaí sobre este a responsabilidade de definir os valores institucionais da organização que devem atingir os públicos – alvo. Como tal o relações públicas (sénior) colabora na preparação das estratégias de Marketing e Publicidade e nos contactos com os media.
  • Relações Públicas (Júnior) – realiza tarefas intrínsecas à função de técnico de Relações Públicas, em colaboração o Relações Públicas (Sénior)
  • Relações Públicas (Estagiário) – auxilia os técnicos de Relações Públicas, preparando – se assim para essa função.


O relações públicas vai ser o elo de ligação entre a empresa e os seus públicos, tanto externos como internos, e para tal este deve possuir um conjunto de características, nomeadamente:

  • Extrovertido
  • Empreendedor
  • Criativo
  • Motivador
  • Auto – confiante
  • Facilidade de comunicação com terceiros
  • Polivalente
  • Auto – didacta
  • Persuasivo

A noção de Relações Públicas surge em Portugal na década de 60 do século passado. Apesar das décadas passadas entretanto é uma profissão que ainda hoje sofre de equívocos que prejudicam a noção, por parte dos portugueses, da sua real função e objectivos. Para muitos portugueses ser Relações Públicas é ser anfitrião de festas, alguém conhecido pela comunidade e chamariz para certos eventos. Esta visão redutora do que realmente a profissão de Relações Públicas abarca tem várias origens, entre as quais podemos salientar a pobre tradução do termo anglo-saxónico “Public Relations” para Relações Públicas e a falta de legislação que credencie e defina o que é e o que faz um RP.


O termo Relações Públicas pode englobar inúmeros significados e como tal possui uma ambiguidade que originou a sua utilização para várias áreas que envolvessem simplesmente “relações” e “público”, criando assim um equívoco que já dura á décadas.