quinta-feira, 6 de março de 2008

A Política e as Relações Públicas

As mudanças a nível político, económico e social que têm vindo a acontecer nas últimas décadas puseram um novo desafio às Relações Públicas, o de promoção, nos países em transição política, de uma imagem positiva, não de uma empresa, de um indivíduo ou de uma instituição, mas de um sistema social e económico.
As grandes potências mundiais – EUA, Reino Unido, França, Rússia, Japão e mais recentemente a China – estão a usar a sua diplomacia, cultura, investimentos privados, instituições do domínio do conhecimento e apoios públicos para influenciar outros países e “vender” a sua noção de um sistema social e económico equilibrado e eficiente. Vários são os métodos usados em campanhas deste tipo de forma a “… comunicar directamente com cidadãos de outros países de forma a afectar os seus ideais e por consequência os seus Governos…” (Malone, 1988).
Alguns já foram os casos em que estratégias de Relações Públicas conseguiram, com mais ou menos sucesso, implementar e divulgar um sistema social e económico.
Um dos casos que podemos referir é o do Peru na década de 90, altura em que Alfredo Fujimori tomou poder e implementou um sistema Neo-liberal. Para conquistar o apoio popular Fujimori fundou uma empresa de RP, a PromPeru, e começou uma campanha na qual se procurou moldar a imagem, tanto interna como externa, do Peru: um país de paz, segurança e estabilidade, atractivo a investidores, turistas e negócios. Este enorme esforço de RP deu os seus frutos até certo limite, sendo que o sistema social e económico adoptado não era apoiado por muitos Peruanos. Apesar da contestação de muitos este sistema esteve em poder por uma década, em grande parte graças aos esforços de RP efectuados pela PromPeru.
Também na Alemanha pós 2ª Guerra Mundial, cuja economia estava orientada para o esforço de guerra e as mentalidades “contaminadas” pela política e ideologia Nazi, foram implementadas várias campanhas de RP. Ao longo de 14 anos essas várias campanhas procuraram a aceitação de uma Economia Social de Mercado que era, em 1950, incompreendida por cerca de 56% da sociedade Alemã. Como resultado deste esforço de RP já em 1961, 64% dos alemães apoiavam este sistema político-económico.
É do interesse de várias países “vender” a sua imagem “vendendo” o seu sistema político-económico, mas nenhum deles investe tanto como os EUA. Um dos exemplos da actividade Americana neste campo é a elevada quantia gasta anualmente (cerca de 80 milhões de dólares) no apoio á oposição ao sistema político liderado por Fidel Castro, em Cuba.